Projeto Caneta Vermelha

Não é a cor da tinta, é a cor do texto

Das coisas que eu não sei, Duda

Hoje você é uma criança, bem criança. E quando a gente te pergunta sobre namoricos, ainda dá pra ver aquela inocência de quem se encolhe morrendo de vergonha. Mas você, como tantas, lá pelos doze anos, vai começar a se apaixonar. Vai gostar do tradicional tipinho mais bonitx da sala, ou dx desengonçadx charmosx dois anos mais velhx que seus amiguinhos ‘infantis’.

Eu queria poder te dar bons conselhos, sabe?! Falar sobre comportamentos acertados, sobre posturas, sobre frios na barriga, sobre perder a fome na ansiedade do encontro ou se empanturrar de chocolate na decepção da ausência. Eu queria que antes que você se apaixonasse pela primeira vez, você já tivesse noção de todas as belezas e perigos dessa sensação. Eu queria poder te guiar…

Não que você não pudesse errar, mas eu queria poder ter certeza de que você acertaria mais do que eu acertei e acerto. Então, eu penso que tenho apenas 25 anos e não devo ter muita coisa pra te dizer, sobre isso, esse negócio de coração. Também estou aprendendo, e tem muito chão pela frente. Penso que uma pessoa mais velha pudesse nos ajudar, mas são tantas experiências diferentes e valores e educação e gostos, que fica evidente que não existe uma cartilha, nem de boas maneiras, pra essas coisas de amor ou paixonites.

Desisto.

Acho que o único conselho que eu posso dar, é para que você seja honesta. Com seus sentimentos e com você mesma. Se não funcionar, pelo menos quando você estiver triste porque perdeu alguém, você vai ter a certeza de ter dado tudo o que podia. E acredite, é melhor chorar uma falta do que um arrependimento.

Além desse conselho, eu posso garantir que estarei aqui. Pra te levar chocolate, quando for necessário, para dividir as pequenas alegrias de um olhar retribuído, as dores do primeiro pé na bunda, o medo de se envolver, a paixão desmedida que dura até amanhã.

E só.

Desculpa se eu não tenho nada pra te ensinar sobre relacionamentos. E desconfie de quem diz que tem. Tenho a impressão de que posso te fazer entender muito mais sobre cumplicidade do que amores. É isso que importa no fim das contas. E é também pra isso que as tias servem.

Te amo.

Cintia Moraes

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Publicado às 3 de março de 2014 por em Cartas para sobrinhas e marcado , , , .
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