Projeto Caneta Vermelha

Não é a cor da tinta, é a cor do texto

R,

Eu não sei se eu deveria te escrever. Você me fez muito mal. Não sei se deveria gastar meu tempo com palavras para quem me causou tanta dor. Só que cá estou eu… escrevendo uma carta em que o destinatário é você. Eu queria dizer, primeiramente, que eu não te desculpo. Não aceito as desculpas que você me mandou via mensagem e nunca aceitaria uma desculpa pessoalmente. O que você fez comigo foi atacar minha alma e isso eu não perdôo. Existia um grupo de pessoas que te amavam. Eu te amei. Você tinha tudo para ser feliz, então por que jogou isso fora? Felicidade para você é pisar nos outros? Eu quero te escrever uma carta invisível, que você não lerá – e mesmo se ler, não saberá que é para você. Você invade os meus espaços e quer se impor. É vingança por que me afastei de você? É que descobrir as suas mentiras me foi doloroso demais e eu não tinha uma força emocional grande o suficiente para discutir com você. Eu não tinha coração forte o suficiente para olhar pra você.

Só que nada disso vem ao caso agora. Nada disso muda o que eu quero te falar. Quando comecei a descobrir suas mentiras, tudo o que eu queria era perguntar para você era o motivo de tudo aquilo. Bem, eu ainda não tenho a resposta – e talvez nunca tenha. Só quero que você saiba que não morar na parte nobre da cidade não é uma vergonha. Não ter um pai maconheiro e libertário não é uma vergonha. Eu desejo, apesar de tudo, que você cresça. Eu desejo que você ame. Ame de verdade, um amigo, uma amiga, um namorado. Ame alguém ou algo. Ame ao ponto de abrir mão de todas as mentiras. Ame ao extremo de não conseguir ser mais ninguém além de si mesma. Eu desejo que você se entregue e deixe a máscara cair. Eu desejo que você aprenda que vitória baseada no fracasso alheio… não é vitória. Eu desejo que você olhe para trás e veja que não vale a pena ferir os outros. Eu desejo que você seja feminista de verdade. Eu desejo que você tenha a fé – e ausência de fé – que desejar. Eu desejo, do fundo do meu coração, que você se aceite. Que você não veja mais motivos para mentir sua identidade. Que você não precise, para se completar, destruir os outros. Eu espero, torço e desejo que você encontre pessoas maravilhosas no seu caminho. Pessoas maravilhosas e que consigam te mostrar o mundo que eu não consegui. Um mundo além da sacanagem e da malandragem. Um mundo por trás da maquiagem, um mundo por trás do cabelo longo. Um mundo além das milhares de bocas e milhares de paus e bocetas. Um mundo único e fraterno e bonito e de luta.

Eu te conheço – mas não foi você que se apresentou pra mim. Você ainda não é feminista, mas espero que um dia seja. Espero que, no meio dessa sua saga de causar a minha tristeza, você descubra que o riso é bom… mas o sorriso é melhor. Eu não espero voltar a falar com você, mas espero que você volte a falar consigo mesma. Por que… você já vestiu essa máscara há tanto tempo que me questiono se você ainda lembra quem você é de verdade.

Sem amor, mas com esperança,

M.

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Publicado às 1 de março de 2014 por em Cartas para amigas e marcado , .
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