Projeto Caneta Vermelha

Não é a cor da tinta, é a cor do texto

Carta com amor

Quero escrever sobre amor de um jeito universal. Acho que há pessoas que conseguem colocar seus sentimentos de forma tal que todo mundo compreende. É sempre com simplicidade. Eu tento escrever de um jeito simples sobre o que sinto por você. São sentimentos simples – intensos, mas simples. Tento escrever de forma universal, respeitando sempre o óbvio, o fato de que ninguém ama ou age de modo suficientemente parecido. Queria que outras mulheres apaixonadas lessem o que escrevo para você e pensassem sim, é isso, sei que você entende. Queria que nosso amor se tornasse uma frase comprida e cheia de ambiguidades que outras mulheres precisem buscar entender juntas.

Quero todo dia achar um novo jeito de colocar em palavras o que você provoca em mim e sempre percebo que nunca consegui dizer propriamente, de jeito algum, velho ou novo. Escrevo e escrevo e derramo parágrafos e nenhum parece fazer sentido. Quero falar em histórias, em palavras, em arrepios, em borboletas que dilaceram meu estômago. Quero buscar novas metáforas e jeitos porque vejo as palavras que estou preparada para dizer e penso que são tão pequenas, contidas, até quase serem insignificantes.

Quero colocar em formas possíveis de comunicação que quando você me toca eu acho a sua pele áspera, mas surpreendentemente gostosa de sentir. Que o cheiro do seu pescoço, uma das poucas áreas do corpo que não pega cheiro nenhum, só exala o natural da pele, é um dos melhores que já senti na vida. Que você tem um beijo tão doce que parece mesmo com você, com como você é comigo, doce de um jeito que eu não esperava e que em outra pessoa me enjoaria. Que a sua voz é linda, que é uma das raras que consigo ouvir depois ecoando na minha mente. Que você fica mais bonita aos meus olhos toda vez que vejo seu rosto. Eu leio essa descrição da sua aparência e sentidos e acho inútil.

Quero registrar da forma mais clara possível que gosto de tudo que você diz, até do que não gosto. Que seu jeito confuso de pensar faz sentido para mim, que eu posso compreender, e acho graça de você se achar tão complicada quando eu acho você tão simples. Que você transparece. Que eu não leio você como se fosse um poema difícil de se compreender por inteiro, que sinto você como se estivesse lendo um artigo em um idioma que não entendo muito bem mas sei o que as palavras querem dizer pelo contexto. Que você me dá certezas e me torna até um pouquinho arrogante, uma presunção feliz por estar certa.

Quero achar um verbo para definir isso que vou chamar de amor. Quero continuar sem conseguir usar meu corpo e minhas palavras de modo a fazer jus ao que você é comigo, só nós duas. Quero sempre achar que meus esforços são em vão quando tentar racionalizar o que somos. Quero falhar miseravelmente em me referir a isso sem ser assim, amor, com amor, falando amor, repetindo amor, dizendo eu amo você.

Porque eu acho que amo.

Com amor, com muito amor.

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Publicado às 25 de fevereiro de 2014 por em Cartas para amantes e marcado , , , .
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